sábado, 19 de julho de 2014

Paulo Merlino em São Paulo - dia 26/7

Paulo Merlino é diretor do grupo Batalha Cênica Salvador - um dos mais ativos e importantes grupos de larp e swordplay no Nordeste Brasileiro, em atividade na Bahia. Ele estará neste da 26 de Julho, véspera do Encontro Paulista de Swordplay, reunido com o NpLarp na biblioteca Monteiro Lobato.

Merlino falará sobre sua experiência e trajetória com a linguagem do larp e no comando da BCS, sobre as relações que estabelece entre essa forma de arte e a prática esportiva do swordplay e sobre a cena de larp em sua região.

Após a conversa, Paulo Merlino organizará também um larp de 1 hora de duração - para que os participantes possam conhecer de verdade aspectos práticos do trabalho do grupo. Para 10 pessoas, a partir de 16 anos.

BATALHA CÊNICA SALVADOR

Fundada em 2008 por Paulo Merlino, a BCS começou com foco em batalhas (swordplay) e investiu no modelo ao tomar contato com grupos semelhantes em território nacional.

A partir de 2013, a pesquisa com a linguagem do larp ganhou mais espaço. Foi quando se iniciaram os estudos dos larps nórdico e americano. O larp na BCS ganhou um novo corpo, conceitos como resenha (debrief) e ambientação 360° foram amplamente testados. Os trajes e o envolvimento com o enredo se desenvolveram, trazendo notoriedade ao grupo.

Esta fase mais recente aproxima a experiênicada BCS a de seus colegas em São Paulo, especialmente em torno do NpLarp.

ENCONTRO PAULISTA DE SWORDPLAY


Dia 27 de julho acontecerá o 4° EPS - Encontro Paulista de Swordplay. Durante evento que reúne praticantes de todo país, o NpLarp convida para debate uma das figuras mais importantes do larp no nordeste e da intersecção entre larp e swordplay.

Swordplay é o nome dado a diversas práticas com espadas, réplicas ou simulações de espadas de cunho esportivo, competitivo ou não. Nos últimos anos, esse tipo de prática se popularizou imensamente em todos os estados do Brasil. Alguns desses grupos praticam também larp com temáticas associadas ao swordplay - em sua maioria, histórias ambientadas em universos de fantasia medieval.

ENCONTRO COM
PAULO MERLINO

GRUPO BATALHA CÊNICA SALVADOR (BAHIA)

DIA 26 de JULHO
às 11Hs da manhã

BIBLIOTECA PÚBLICA MONTEIRO LOBATO ( no Auditório)
Rua General Jardim, 485 - Vila Buarque
próximo aos metrôs República e Santa Cecília


bonus track: arte do cartaz
clique na imagem para ver maior

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Um Carioca na Larpwriter Summer School

Larpwriter Summer School é um projeto de cooperação entre dois países, a Noruega (através do grupo Fantasiforbundet) e a Bielorrússia (o grupo POST) que acontece esse ano na Lituânia. Consiste em um curso intensivo de 5 dias focado em design para larp, voltado para uma audiência internacional. Na equipe de professores, convidados internacionais de peso como Eirik Fatland, Petter Karlsson e outros velhos conhecidos de quem se aventura nas pesquisas sobre larp, especialmente o Larp Nórdico.

O objetivo é capacitar os participantes do curso a criarem seus próprios larps. As atividades incluem jogar larps, assistir a palestras, participar de oficinas e debater ideias para possíveis larps. Há uma ênfase especial em larp educacional, mas a compreensão do que seja o termo é bastante abrangente.

Três turmas já passaram pela Larpwriter Summer School desde 2012. O curso de 2014 acaba de chegar a seu fim, seguido de um festival que está acontecendo nesse momento, o Metamorfozes

Esse ano temos um representante brasileiro participando de ambos os eventos, o carioca Rian Rezende.

Rian Rezende é sociólogo, mestre em design, game designer e colaborador na Donsoft Entertainment. Pesquisador do LaDeH , do Ilustr&Narrativa e professor no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio, integra as equipes do RPG Incorporais, do Coletivo Gamerama e da Academia Lúdica, sendo também fundador e Mestre Lúdico na Cia Imperial Lúdica. (pequena bio retirada da coletânea O Jogador de Mil Fases).

Rian Rezende e também os outros brasileiros
Carlos Klimick e Eliane Bettocchi
no 8° Annual Role Playing in Games Seminar 2012
Seu contato com o larp começou em 2012, quando esteve presente no 8° Annual Role Playing in Games Seminar, em Tampere, na Finlândia, para apresentar um trabalho próprio sobre RPG. Foi quando conheceu  Markus Montola, Jaako Stenros (organizadores do livro Nordic Larp) e Nathan Hook e teve contato pela primeira vez com o Larp Nórdico.

Em 2013, preparando-se para um workshop sobre RPG que iria ministrar na Holanda, Rian procurou o NpLarp - motivado pelo seu contato com pesquisadores da linguagem no ano anterior, queria aproveitar o novo intercâmbio para conhecer alguns grupos e, se possível, participar de alguma experiência nos países que visitaria.

De lá para cá, o professor, pesquisador e game-designer tem acompanhado a cena de larp no Brasil e internacionalmente, especialmente pelas redes sociais - e planejando timidamente sua incursão na linguagem. Foi nesse contexto que conheceu o Larpwriter Summer School e engajou-se na oportunidade de fazer o curso.

Na Lituânia há mais de uma semana e em contato com Nplarp desde então, Rian deve participar amanhã durante o Metamorfozes do larp Innocence de Nina Runa Essendrop, uma das autoras do larp Morte Branca, que o Boi Voador realizou em Belo Horizonte, no Laboratório de Jogos desse ano.

Depois de concluída a jornada, pretende escrever um relato mais completo de sua experiência e aprendizados no Larpwriter Summer School, no festival que acontece nesse momento em Vilnius e nas suas deambulações pelos países vizinhos. Estamos no aguardo!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Revista Mais Dados - 'Novos Sabores do Larp Brasileiro' e dois larps curtos de Luiz Prado

Revista Mais Dados é uma publicação científica brasileira com foco em roleplay e jogos, voltada para RPGs, larp e jogos de carta ou tabuleiro. Organizada e publicada pela ONG Narrativa da Imaginação, a revista está disponível gratuitamente e online em formato pdf, clicando aqui.

O larp está representado nessa primeira edição por meio da tradução do artigo "New Tastes in Brazilian Larp" publicado em março em coletânea internacional e agora finalmente disponível em português, e os roteiros de aplicação de Café Amargo e Álcool, larps de Luiz Prado.

NOVOS SABORES DO LARP BRASILEIRO

Escrito por Luiz Falcão, o artigo tenta estabelecer um histórico crítico do larp no Brasil, dividindo-o em três momentos e concentrando-se no último, onde aponta a influência do Larp Nórdico e a diversificação da prática a partir do entendimento do larp como uma linguagem. Novos Sabores no Larp Brasileiro, é um dos poucos textos sobre o assunto e referencia um grande número de experiências distintas sendo provavelmente o texto mais completo e abrangente sobre o larp no Brasil até hoje.

Publicado originalmente em inglês no livro The Cutting Edge of Nordic Larp (Suécia, março de 2014), livro oficial do Knutpunkt 2014.

CAFÉ AMARGO

Realizado pela primeira vez em 2013, no labLarp, este larp curto de Luiz Prado para 2-6 pessoas utiliza de cinestesia e está dentro da pesquisa do autor que engloba também Ouça no Volume Máximo e Álcool: larps com teor sentimental, relativamente breves, onde mecânicas de jogo são utilizadas para catalizar as relações entre os personagens dos jogadores, que são criados durante o jogo.

Café amargo também está disponível em inglês: Bitter Coffee - Sooner or later the people we love will say goodbye.

ÁLCOOL

Com roteiro inédito até esta Mais Dados, Álcool já havia sido realizado em Sorocaba, no evento Fantasy Arts e em Belo Horizonte, no Laboratório de Jogos. Neste larp, os participantes representam memórias de um personagem envolvido com a bebida. Para 2-5 pessoas, é um jogo "sobre o significado do álcool em nossas vidas".

Acesse a revista online aqui.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

NpLarp e Boi Voador no Laboratório de Jogos 2014

Foto por Luiz Lurugon.
Nos dias 18, 19 e 20 de abril estivemos em Belo Horizonte, na segunda edição do Laboratório de Jogos. Direcionado para produtores de jogos analógicos - rpg, larp e jogos narrativos em geral -  o evento contou com diversas palestras, mesas-redondas e testes de jogos. Dentro da extensa programação, o Boi Voador e o NpLarp contribuiram com alguns jogos, falas e palestras.

Jogos


O primeiro dia do Laboratório começou com Álcool, larp de Luiz Prado ainda não publicado, sobre o papel da bebida na vida das pessoas. Foram três aplicações do jogo, variando do humorístico para o melancólico. O retorno dos jogadores foi bastante interessante, com considerações sobre aspectos mecânicos do larp e as implicações emocionais que a experiência trouxe para cada um. Como preparação para o Álcool realizamos 3 de mim, poema de representação de Matthijs Holter.

3 de mim, preparação para Álcool. Foto por Luiz Lurugon.
No segundo dia tivemos Morte Branca, larp dinamarquês de Nina Runa Essendrop e Simon Steen Hansen, inédito no Brasil. Levamos o larp para o evento instigados pela total ausência de falas durante o jogo e por sua intensa oficina preparatória, na qual os personagens são construídos através de exercícios corporais. Essas duas características, aliadas à centralidade da representação pelo corpo, tornam a aplicação de Morte Branca um marco para as pesquisas do Boi Voador e do NpLarp.

Morte Branca. Foto por Luiz Falcão.
Fechando a programação de jogos, aplicamos no terceiro dia do evento O Jogo do Bicho, larp original do Boi Voador sobre criminosos no Brasil dos anos 70. Propondo a construção aleatória de personagens através de cartas e mecânicas inspiradas na atmosfera da obra de David Lynch, O Jogo do Bicho é o desenvolvimento de Máfia, realizado no Laboratório de Jogos 2013. Várias mudanças foram feitas em relação ao jogo de 2013 e o debate pós-larp foi muito gratificante, com os participantes analisando aspectos da construção dos personagens e das mecânicas do jogo, destacando o que funcionou e sugerindo alterações nos pontos que geraram ruídos durante a experiência.

Cenário de O Jogo do Bicho. Foto por Luiz Lurugon

Apresentações


Além dos larps, tivemos também uma série de falas e discussões durante o evento. Em Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional, Luiz Prado apresentou uma retrospectiva da cena brasileira tendo como ponto de partida a edição 2013 do Laboratório de Jogos. Durante a fala, destacou a importância do Laboratório para o intercâmbio entre produtores de diversas partes do país, o surgimento de novos espaços de jogo e o aumento de diários de produção, críticas e resenhas dos jogos.

"Como o LabJogos mudou a minha vida e o cenário do larp nacional". Foto por Luiz Lurugon.
Na palestra As palavras tem poder - como uma simples definição mudou os rumos do larp no país, Luiz Falcão discorreu sobre o impacto que a adoção do termo larp teve no próprio entendimento da prática, transformando-a de simples modalidade de rpg para uma arte autônoma, capaz de abrigar múltiplas experiências, formatos e temáticas.

Já em Cultura Participativa e Estética Relacional, Falcão apresentou as ideias expressas no livro Deltagar Kultur (do grupo sueco Interacting Arts) e na obra de Nicolas Bourriaud, discutindo as noções de artista, espectador, interator e participante, relacionando-as com o larp e o rpg.

Falcão participou também na mesa redonda Como trabalhar com jogos de representação - para além de publicar um livro ao lado de Encho Chagas, autor de Pulse, jogo ganhador do Game Chef 2013, Rafael Rocha da ONG Narrativa da Imaginação e Danilo Kobold da loja/editora Kobold´s Den. A proposta da mesa foi apresentar diversos casos de projetos relacionados ao larp e ao rpg que não envolvem diretamente a publicação editorial.

"Como trabalhar com jogos de representação - para além de publicar um livro". Foto por Luiz Lurugon.
Fechando a programação proposta pelo NpLarp e o Boi Voador, a palestra de Falcão As bailarinas de Degas mostrou como o desenho deixou de ser uma técnica considerada apenas preparação para a pintura e a escultura e alcançou a condição de arte autônoma. A fala procurou estabelecer um paralelo com o larp, praticado por companhias teatrais como aquecimento e exercício, sem o reconhecimento de sua autonomia.

"As bailarinas de Degas". Foto por Luiz Lurugon
Assim como aconteceu na edição 2013 do Laboratório de Jogos, discutimos muitas ideias, conhecemos iniciativas inovadoras tanto em larp quanto em rpg e tivemos momentos muito bons com a realização dos jogos. Contudo, o mais importante com certeza foi rever os velhos rostos e conhecer os novos produtores. Saímos do evento com a certeza de que o larp e o rpg indie só tem a ganhar com uma intensa troca de ideias e experiências, livre de impedimentos - exatamente a proposta do Laboratório de Jogos.

terça-feira, 25 de março de 2014

Larp Brasileiro no Knutpunkt


Como muitos já sabem, o Knutpunkt é a conferência internacional mais importante e influente de larp - e este ano acontece na Suécia, dos dias 3 a 6 de Abril. (Existem outras, como o Larp Simposium, na itália, o New York Living Games Conference nos EUA, o Gniales na França... só pra citar algumas.)

Todos os anos, junto ao KP, os nórdicos publicam pelo menos um livro com artigos inéditos sobre larp, procedentes de diversas partes do mundo. O livro deste ano The Cutting Edge of Nordic Larp, acaba de ser publicado, gratuitamente em formato PDF, em inglês. E há um artigo sobre o larp brasileiro, assinado por Luiz Falcão (eu), do NpLarp.


Novos Sabores no Larp Brasileiro: da Coca-cola à Caipirinha com Gelo Nórdico.

Colaboraram para a redação do artigo pesquisadores do NpLarp e diversos colaboradores (Luiz Prado, Wagner Luiz Schmit, Goshai Daian, Krisna Farnese, Paulo Merlino e outros). Alguns erros escaparam a versão final, que passou por 5 revisores (eu mesmo, o editor Jon Back, o tradudor Wagner Luiz Schmit e os revisores Ricardo Izumi e Tadeu Andrade) e já peço desculpas aos leitores quando os encontrarem.

New Tastes... é a primeira tentativa de organizar e estabelecer alguma coisa que se pareça com uma historiografia ou trajetória, mesmo que informal, do larp no Brasil. O foco, necessariamente, é a relação com o Larp Nórdico, por se tratar de uma conferência sobre o tema - o que levou a uma orientação a partir de alguns jogos e tradições, deixando muita coisa de lado ou apenas pincelada no artigo.

Além dos erros que possam ter escapado à revisão, tenho consciência que algumas injustiças ou enganos foram cometidos no texto - bem como imprecisões e falta de acuidade em muitos pontos. Mas o artigo é resultado de pelo menos 3 anos de pesquisa e representa grandes avanços em relação ao que foi publicado no LIVE! Guia de Larp. Convido a todos que tiverem qualquer apontamento sobre o conteúdo do texto - ou o que está faltando nele - a enviarem um email para mim (luizpires.mesmo [arroba] gmail.com) ou ao Núcleo de Pesquisa (nplarp.br [arroba] gmail.com) com o intuito de continuarmos escrevendo a memória do larp no Brasil.

Em breve, pretendo publicar uma versão do artigo em português (com direito a mais fografias) e ela já pode conter algumas revisões.

A versão em inglês está disponível a partir do link do The Cutting Edge of Nordic Larp na Nordic Larp Wiki.


MAIS LARP BRASILEIRO NO KNUTPUNKT

Este ano, como em 2009, Wagner Luiz Schmit irá representar o Brasil na conferência. Haverá ainda uma apresentação também intitulada "New Tastes in Brazilian Larp", onde participarei por teleconferência. Apesar de homônimos, os conteúdos do artigo e da apresentação terão focos bastante diferentes - e complementares.

Além disso, estamos preparando alguns jogos Brasileiros para serem apresentados pela primeira vez a uma audiência internacional. (Pensando bem, um grupo no Japão jogou Café Amargo este mês... Mas agora estamos falando do Knutpunkt!)

A PEDRA FUNDAMENTAL DO LARP NÓRDICO

A surpresa foi a publicação de um segundo livro, editado pelo trio Eleanor Saitta, Marie Holm-Andersen e Jon Back, entitulado The Foundation Stone of Nordic Larp que é uma coletânea de artigos "históricos" do knutepunkt, todos comentados com uma folha de rosto situando seu contexto e importância.

É um trabalho bastante relevante tendo em vista o recente crescimento da discussão internacional sobre a linguagem e a longa tradição dos países nórdicos. Todos os livros do Knutpunkt estão disponíveis gratuitamente em formato PDF, em inglês, mas nunca houve até então uma tentativa de organizar uma curadoria dos mais importantes textos ao longo desses mais de 10 anos de publicações e desenvolvimento da linguagem.

The Foundation Stone... é ao mesmo tempo um apanhado para os "preguiçosos" que não querem fazer suas próprias pesquisas na amplamente disponível tradição literária especializada dos nórdicos, rs, quanto uma revisão crítica necessária e muito bem vinda em um momento de efervescência como nunca antes parece ter sido vivido na história da linguagem.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Ouça no Volume Máximo para download e blog do Luiz Prado

Luiz Prado é sem dúvida uma das figuras mais ativas do larp no Brasil. Jogador regular desde 2009, entrou para a Confraria das Ideias em 2012, onde esteve a frente de larps como RedHope (Perigo Biológico em 2012 e Terra dos Mortos em 2013), Funeral (2012), Drácula (2012) e A Noite do Sorriso e da Flor (2013). Em 2013, passa a integrar a linha de frente também do Boi Voador e do NpLarp, com os quais já tinha contato mesmo no ano anterior.

Neste ano, começa a escrever larps curtos que podem ser aplicados por qualquer pessoa. É o caso dos jogos Café Amargo (que foi um grande sucesso no lablarp em São Paulo), Três Homens de Terno e Ouça no Volume Máximo, que ganha, este mês, um guia de aplicação no formato de encarte de cd - disponível para download no blog do Boi Voador.

Saiba mais sobre o jogo, leia e faça o download clicando aqui.

Ouça no Volume Máximo (mais informações, manual e downloads aqui) começou a ser desenvolvido no primeiro semestre deste ano e foi aplicado algumas vezes em São Paulo, além de viajar para o evento de game-design Laboratório de Jogos, em Belo Horizonte, junto com um projeto do Boi Voador que deverá dar as caras na web em breve.

No jogo, os integrantes de uma das bandas mais bem sucedidas da história da música se reencontram após 15 anos de separação para discutir o ressurgimento do grupo. O larp usa mecânicas de aleatoriedade e construção coletiva in-game para criar os personagens e suas relações, conflitos e sentimentos. Para 3 a 7 pessoas, o jogo tem duração de uma hora, com mais uma hora dividido entre introdução/apresentação e debrief. O manual - e tudo o que é preciso para jogar, está disponível em creative commons gratuitamente no blog do Boi Voador, no endereço http://boivoador-larp.blogspot.com.br/2013/12/volume-maximo.html.

Outra boa notícia é que Luiz Prado começou este mês também um blog pessoal onde ele postará seus jogos, comentários sobre a criação, aplicação e larps que participa, pensamentos sobre a linguagem e muitas outras coisas imperdíveis. O endereço do blog é simples: http://luizprado.wordpress.com

domingo, 24 de novembro de 2013

Seu larp tem um zumbi?

por Eirik Fatland (http://larpwright.efatland.com/?p=316)
tradução de Luiz Falcão

Seu larp tem um desses?

Imagine dois larps: o primeiro é sobre adolescentes angustiados figurando sobre o sentido da vida em uma remota cabana na montanha. O segundo é exatamente igual, exceto que os adolescentes estão sendo atacados por zumbis. Qual larp você acha que vai atrair mais jogadores?

Em "Talk Larp", uma das três antologias disponíveis para download (em inglês) publicadas na conferência Knudepunkt 2011 a contribuição de Juhana Pettersson "The Zombie Necessary" contém duas observações muito úteis:

a) que raramente os jogadores tem problemas com formas estranhas e experimentais de larp - é a falta de conteúdo relacionável que às vezes assusta para longe dos materiais arthaus.

b) que um larp bem sucedido precisa de um algum conteúdo claramente relacionável - algum gancho que explique ao jogador como o jogo é jogado. Petterson chama isso de "o Zumbi Necessário". Você pode adicionar angústia existencial e experimentação arthaus em cima disso. Apenas certifique-se de que tem o zumbi.

Tendo trabalhado com o marketing dos larps do laivfabrikken e desenvolvido uma noção do que atrai um monte de ansiosos e predispostos jogadores e o que não atrai, as observações de Petterson soam muito verdadeiras para mim. Em minha comunidade em Oslo já começamos a dizer coisas como "precisamos de um zumbi necessário para esse jogo!" e "onde está o zumbi?"

Zumbis vem em muitas formas, nem todos eles estão ligados à ficção de gênero. Para Marcellos Kjeller, foi a música da Kaizers Orchestra, e o sex-appeal dos combatentes da resistência mafiosa evocados por suas letras. Não importa que o live tenho tomado a forma de um musical, com cut-scenes e estranhas meta-técnicas: o larp encheu duas vezes e provavelmente encheria mais vezes. Para Café René foi a familiaridade com a série de TV "Allo'Allo" que crescemos assistindo. O jogo do laivfabrikken “Falne Stjerner” (estrelas cadentes), sobre itens descartados na esperança de obter uma vida nova na feira de pulgas, atraiu olhares em branco até ser dito que você poderia interpretar a personagem do Livro Vermelho de Mao, divagando amargamente sobre seus antigos proprietários terem abandonado o comunismo. Conteúdo relacionável. E o que é mais relacionável que um zumbi? Eles são assustadores, estão mortos e comem cérebros. Até a sua avó sabe como jogar com eles.

Petterson também tem um ponto sobre porque esse critério de "relacionabilidade" é mais importante no larp do que na literatura e no cinema: se o jogador já se esforça para compreender o conteúdo, ele também está se esforçando para criá-lo. O novo filme do Lars von Triers continua rodando se você "sacar" ou não. O larp, no entanto, vai parar.

Eu cobri algo no mesmo terreno, com menos precisão e mais detalhe, no meu artigo "interaction codes" (publicado no Role, Play, Art). Entretanto, ali eu chamo de "Entendendo e Estabelecendo Padrões na Improvisação dos Jogadores". Eu prefiro falar sobre zumbis.



- Eirik Fatland (1976 -) é um designer de interação, escritor e larpwrighter residente em Oslo, Noruega. Criador de diversos larps (1942, 13 at the table e outros) e um dos autores do Manifesto Dogma 99, atualmente está engajado no grupo Laivfabrikken. É autor do site The Larpwright, blog sobre dramaturgia para larp, explicando e explorando como larps são feitos e como eles podem ser feitos.  

NT: Esse artigo foi originalmente traduzido em outubro de 2011 para a lista de discussão do Grupo Boi Voador e ele foi essencial para a definição de rumos na criação e divulgação do larp A Clínica.

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